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19 setembro, 2008

DENÚNCIA: ANGOLA E ISABEL DOS SANTOS




A HISTÓRIA E INVESTIMENTOS DE ISABEL DOS SANTOS A MULHER MAIS INFLUENTE DE LUANDA.

Aos 35 anos, a engenheira electrotécnica formada em Londres lidera um verdadeiro império.


Filha mais velha do Presidente José Eduardo dos Santos é, aos 35 anos, uma das mulheres mais poderosas de Angola e talvez até de África, Isabel dos Santos licenciou-se em Engenharia Electrotécnica em Londres, onde viveu alguns anos com a mãe, e regressou a Angola em meados dos anos 90.
Considerada uma negociadora dura, mas afável e correcta, é vista como muito dotada para a gestão, o que a levou a liderar já alguns projectos em Angola.
A Urbana 2000, entidade a quem foi adjudicada a recolha de lixo na zona de Luanda, foi a sua primeira experiência. Pouco depois entrou no negócio dos diamantes, a segunda maior fonte de receitas do país depois do petróleo.

Senhora de grande beleza, é também muito discreta e, por vezes, torna muito difícil a identificação dos negócios a que se encontra ligada. Ainda assim, conhecem-se algumas ligações a empresas portuguesas, como é o caso do Banco Espírito Santo. Quando, em 2001, o BES constituiu o BESA em Angola, a empresária angolana fez parte do núcleo de accionistas que subscreveu 20% do capital do novo banco. Também a Unitel, participada pela Portugal Telecom e pela Sonangol, conta com uma participação do grupo empresarial onde se identifica a presença de Isabel dos Santos: Geni.

Nos últimos anos tem-se identificado uma amizade forte com o empresário português Américo Amorim que levou mesmo o marido de Isabel dos Santos, Sindika Dokolo, a administrador da Amorim Energia. O certo é que a Galp tem vindo a aumentar o peso dos seus interesses na exploração de petróleo em Angola e surgem muitas vezes rumores de novos negócios com a participação de sócios angolanos. Além disso, Isabel dos Santos participa com Américo Amorim nos bancos gémeos BIC Angola e BIC Portugal. Nesta área, o BIC Portugal, presidido por Mira Amaral arrancou apenas em Maio deste ano e ainda não teve possibilidade de mostrar o seu potencial. Já o seu “irmão” angolano, fundado em 2005, tem crescido com enorme velocidade e já quase disputa a liderança com o Banco Fomento Angola (BFA), onde a Unitel, participada igualmente por Isabel dos Santos, vai agora entrar. A ligação entre os dois empresários parece estender-se também aos cimentos, onde, depois da saída da Cimpor, terão tomado uma participação, através da Ciminvest, na Nova Cimangola.

Apesar de não ser possível ter certezas em matérias onde a descrição vai para além dos limites do razoável, o certo é que existem outros negócios onde se fala de ligações entre empresas portuguesas e Isabel dos Santos. É o caso da Iduna, empresa de mobiliário de escritório, e da Sagripek, uma unidade agro-industrial.

Pedro Marques Pereira


In Diário Económico em 15 do de 2008 . Os negritos são meus.