03 fevereiro, 2009

O homem mais rico de Portugal é um espertalhão

O meu amigo de infância o Penin Redondo escreveu no seu blogues DOT e COMe, o seguinte

Ao contrário do que alguns pensam a crise actual não representa a decadência do "neo-liberalismo", seja lá isso o que for, mas sim o apogeu.
Milhares de empresas aproveitam para se descartar dos empregados "obsoletos" ou para fazer uma oportuna cura de emagrecimento antes da retoma.
Mas agora, ao contrário do que acontecia antes, ninguém lhes leva a mal e o próprio Estado ainda dá uma ajudinha. Ou seja, a crise criou um belo pretexto para despejar nas mãos da Segurança Social uns largos milhares de trabalhadores descartados. Um verdadeiro paraíso "neo-liberal".


Concordo em absoluto com ele, tanto quanto esta notícia de hoje o confirma.

A Corticeira Amorim anunciou hoje o despedimento de cerca de 195 trabalhadores nas unidades de rolhas e aglomerados compósitos para fazer face ao "impacto negativo da crise global" na actividade do grupo.

Em comunicado enviado à Comissão do Mercado dos Valores Mobiliários (CMVM), a Corticeira Amorim explica o despedimento colectivo, que assinala ser o primeiro na história do grupo, com a necessidade de adequar a produção, sobretudo naquelas duas unidades, à quebra na procura.

O processo de despedimento colectivo abrange a dispensa de 75 trabalhadores na unidade de rolhas e de 118 na de aglomerados compósitos.

A redução na produção da unidade de rolhas é justificada pela Corticeira Amorim com as consequências que a actual crise global vão "certamente evidenciar" no consumo nos principais mercados-alvo do sector vinícola, para além da perda de quota do mercado de rolha de cortiça.

Quanto ao sector de aglomerados compósitos, a empresa refere um "provável" impacto negativo nas vendas dos seus produtos, que incluem componentes para a indústria automóvel e para a construção, "sectores cujas dificuldades são amplamente conhecidas".

Quer dizer que a empresa do glutão Amorim, o tal mais rico de Portugal, tem um excelente staf que lhe permite antever as oscilações do mercado, o que é normal e ainda bem.

Mas o senhor glutão, não quer correr o risco de ganhar menos, de suportar algum recuo nos seus resultados, tem que ganhar o mesmo, ainda que à custa de mais 195 famílias no desemprego e ao mesmo tempo vê-se livre de mais alguns trabalhadores, sem problemas com muito bem diz o Penim Redondo.

Felizmente, ainda há por ai algumas (poucas) excepções. Para dizer que numa delas por certo o mercado do café, dos azeites ou do vinho, também vai conhecer algum recuo, naturalmente que a família Nabeiro, vai ganhar menos este ano. A crise existe realmente. mas não ouço falar em despedimentos em manter lucros à custa da miséria alheia.

Já sei o que dizem os glutões, que o problema não é deles é do Estado, é a este que compete zelar pelos desempregados, é para isso que pagam impostos.

Sei isso, mas eles também sabem no país em que vivem e as consequências dos seus actos, do mesmo modo que Mário Rui Azinhais Nabeiro, sabe que podiam ganhar muito mais, se tivesse empregados a menos.

É por essas e por outras que não bebo café quando oque me querem servir, não é Delta.


3 comentários:

Claras o contestatário disse...

Olá Luis

neste caso tens razão e haverá outros em que também terás.
Mas é bom que tenhas a noção que o desemprego começou agora, e só agora, nas grandes multinacionais e isso vai provocar uma derrocada no emprego de todo o mundo, depois serão as grandes empresas nacionais, portuguesas, espanholas,francesas, etc
depois virão as médias empresas e entretanto a maior parte das pequenas já foi à vida.
Tem a noção de que a crise está só no princípio e não no meio como dizem.
Só em espanha e no mês de Janeiro houve 200.000 mil desmpregados.

beijinho

Luís Maia disse...

Não sei o que o teu comentário, tem que ver com o que escrevi.
Eu não ignoro nada do que tu dizes, nem que os reflexos do apodrecimento desta velha era do capitalismo selvagem liberal ainda estão por chegar.

Só quis chamar a atenção para o comportamento dessa gente, que continua a ter um único fito , engordar o bandulho.

As regra para o jogo da economia têm que ser outras.

Claras o contestatário disse...

Tem a ver, pela simples razão que mesmo os engordam o bandulho vão ser apanhados pela crise e irão despedir muito mais.
Só isso.
Também será bom pensar que a maior parte das empresas vão deixar de vender, excepção feita aos supermercados e aos cafés, apesar de também irem vender muito menos.

beijinho