12 novembro, 2008

ESPANTO MEU






No final do ano lectivo, toda a sociedade portuguesa opinou sobre a aluna que empurrou uma professora, por causa de um telemóvel.
Disse na altura que, quanto a mim, a culpa era da professora, não defendendo de nenhuma maneira a aluna.
O meu espanto é ter visto alunos de uma escola, acompanhados por todos os professores dessa mesma escola, atirar ovos à Ministra da Educação.
Nos blogs por onde passei, alguns dos quais se insurgiram contra a dita aluna, e bem, vi poucos a tomarem posição por alunos terem atirado ovos a uma Ministra, pior do que isso, uns até defendem os alunos.
Ora bem.
Cá para mim, há um mínimo de educação e de civismo que não deve ser ultrapassado.
Este Governo foi eleito, não interessa para o caso se bem ou mal, por parte maioritária do povo português que o elegeu. Qualquer Ministro é representante desse Governo.
Atirar ovos a um Ministro, ainda por cima sem argumentação, é lamentável.
Haver alunos de uma escola que atiram ovos a uma Ministra, acompanhados dos seus professores, que os olham embevecidos, é trágico.
Serão esses mesmos professores, os mesmo que amanhã se queixarão quando um aluno lhes der um empurrão, lhes riscarem o carro ou lhes atirarem com ovos. Serão esses mesmos professores que virão publicamente, pôr as mãos na cabeça, com a falta de segurança e com a má criação.
Julgam que ganharam o respeito dos alunos, quando finalmente lhes demonstraram que a violência é apreciada, que a má criação é justificável quando se não gosta das medidas, que as hierarquias não são para respeitar.
Hei-de ver estes mesmos blogs a gritarem 'aqui d'el-rei' quando um aluno atirar com um ovo à cara de um professor.
Não se venham queixar depois!!!!!


19 comentários:

Carla disse...

mesmo que no fundo uma parte de mim se tenha regozijado com a situação (afinal não somos perfeitos, não é!), tenho de reconhecer que tens total razão na análise que fizeste...os valores são os mesmos independentemente dos intervenientes!
beijos

Claras o contestatário disse...

Olá Carla

À pois são!
Quer queiram ou não.
Os professores desautorizaram-se quando deixaram que os seus alunos fossem tão ordinários.
Pior de que tudo é estarem a usar os alunos.
Se algum dos meus filhos tivesse atirado ovos a uma Ministra, tendo os professores ao lado, eu garanto-te que processava os professores por abuso de autoridade e por os estarem a incitar à violência.

beijinhos
Minucha

Vítor Ramalho disse...

Esperemos que não se repita. Porque a luta dos professores precisa do apoio de todos e este tipo de episódios só servem para lançar dúvidas.

Claras o contestatário disse...

Olá Vítor Ramalho

é pena os professores meterem-se todos no mesmo saco.
Há bons e maus professores.
Os maus são para mim a maioria.
Penso que a avaliação dos professores é fundamental e sinceramente vejo poucos a dizerem que a querem.
Os que a querem, são aqueles que não têm medo de ser avaliados, são aqueles que estão desacreditados por tantos e tantos colegas.

beijinho

Vítor Ramalho disse...

Mas este modelo de aviação nem permite separar o trigo do joio.
O modelo só tem um fim poupar dinheiro.
Não avalia, nivela pela mediocridade.

Funes, o memorioso disse...

Se há coisa que não tem absolutamente nada de fundamental é a avaliação de professores. Explico-o no meu blogue.
Numa coisa concordo consigo: o apoio dado pelos professores ao bando de marginais que atirou ovos à ministra é uma forma de cuspir para o ar. Mais tarde ou mais cedo, vai-lhes cair na cara.

Funes, o memorioso disse...

Também é uma estupidez os professores não dizerem abertamente que não querem avaliação nenhuma e andarem por aí a fingir que o que não querem é esta avaliação. Não querer avaliação nenhuma é legítimo e razoável. O que não é legítimo é ser-se incompetente e não se querer mudar. Lamentavelmente, é por isso que muitos professores propugnam nesta luta. Não estão contra a avaliação em si mesma (como deviam estar, porque é a avaliação, em si mesma, que é a absurda), mas mostram-se dispostos a aceitar qualquer avaliação, se esta premiar a sua incompetência.

Vítor Ramalho disse...

Falo com professores, recebo mails de professores e ainda nenhum disse claramente que não queria ser avaliado.
Tem de haver avaliação e o ensino precisa de uma profunda reforma. Ainda hoje falei sobre o assunto com um prof. Deviam fazer um grupo de estudo alargado, com professores eleitos em escolas. Um grupo de profissionais encarregados de fazer um plano, com tudo, matérias, avaliações exames. Depois um ampla discussão publica. Envolver os pais no estudo, ver saídas profissionais e não ter medo de revolucionar. Temos gente com capacidade de fazer coisas novas adoptadas aos portugueses, não precisamos de copiar nada do Chile nem de nenhum outro país. Uma coisa é estar atento ao que se passa, noutros lugares do mundo, outra é copiar sem atender às diferentes realidades.

Claras o contestatário disse...

Olá Funes

Há uma coisa que para é clara.
Um bom professor e um mau professor não podem chegar os dois ao topo da carreira.
Não sei que processos se poderão arranjar para que isso não aconteça, mas algum terá de se arranjar.
Quando se premeiam todos por igual, a injustiça é maior do que não premiar ninguém, e os melhores desmotivam.

Beijinho

Funes, o memorioso disse...

Vítor Ramalho,

Eu não percebo porque é que diz que tem de haver avaliação.
O que é avaliar?
É atribuir um prémio literário ao Pinheiro Chagas e proclamar que ele é melhor do que Eça de Queirós, como fez o nosso século XIX?
É declarar que Jorge Luís Borges não merece o Nobel da literatura?

Claras o contestatário disse...

O que tenho visto, Vítor Ramalho, é igual a não se querer avaliação nenhuma.
por acaso também falo com professores e também conheço alguns, e o que me dizem , é que há professores que querem ser avaliados, mas que a maioria não o quer
Vá la saber-se porquê.....

Professores eleitos em escolas?
Pela sua saúde!!!!!
e quem vão ser os eleitos?
Os que são os melhores, ou os que querem facilitar?
Caramba! eu de ingénua já tenho pouco!!!!
Sabe porque não acredito na maioria dos professores?
Porque só agora que lhes querem tirar privilégios os vejo preocupados com o ensino e com a escola.
Enquanto, durante 30 anos (não é brincadeira, 30 anos!), se andou a a destruir o ensino, como lhes facilitava a vida, nunca se ouviu, na sociedade portuguesa, um único professor levantar a voz.
É por isso que toda esta luta é a desacreditação completa dos professores.
Nivelar por baixo? Deve ser impossível nivelar mais baixo do que já está.
Qualquer incompetente, por mais incompetente que seja, sobe ao topo da carreira.
É isso que a grande maioria dos professores quer.

beijinho

Vítor Ramalho disse...

A avaliação serve para ajuizar se os objectivos são cumpridos, para premira os melhores e neste particular afastar do ensino os que não servem.
Com este método de avaliação proposto pelo governo já sabemos que 25% dos professores são excelentes e para afastar um incompetente é o cabo dos trabalhos.

Vítor Ramalho disse...

Tem toda a razão quando diz que os professores parecem só ter acordado agora.
Mas o ensino precisa de uma volta. Como estudar um modelo que resulte? Com a colaboração dos intervenientes. Como não acredito em comissões nomeadas pelo governo, porque muitas vezes já têm os resultados encomendados, é preferível encontrar os participantes professores através de uma votação.

Claras o contestatário disse...

Sei que a intenção é boa Vítor
mas explique-me lá.
Uma comissão com quantas pessoas?
Quais as escolas escolhidas para fazer parte e qual o critério para eleger essas escolas?
só depois haverá votação dentro da escola, não é?
Ou
fazem-se listas de candidatura e sufragem-se os programas dessas listas?
Ou
são os sindicatos a dizer quais as escolas?
ou
os partidos?

beijinho

Vítor Ramalho disse...

Os sindicatos já mostraram que não têm nenhum tipo de apetência para este tipo de coisas.
O trabalho pode ser feito por comissões regionais e depois passar a nacional.

Claras o contestatário disse...

Acho bem que comecem rápido, Vítor
porque irão demorar para aí uns dez anos.

Luís Maia disse...

Enquanto funcionários públicos devem ser avaliados, mas não só os professores também os médicos, os enfermeiros os militares etc.

que exerçam funções públicas e tenham carreiras com ascenção especifica,
por forma a que tenham acesso os melhores e não os mais antigos ou os mais cunhados

Sam disse...

CODE RED CODE RED !! MAYDAY MAYDAY!

O PERVERTIDO VOLTOU !

BEIJO

Kruzes Kanhoto disse...

Acho que já li este texto noutro lado qualquer...Talvez aqui http://cudeoeiras.blogs.sapo.pt/109565.html