29 julho, 2008

COMENTÁRIO PASSADO A POST E SUA RESPECTIVA RESPOSTA.




O texto a encarnado
, é parte de um comentário, deixado pelo Amigo Pena ao post "Polícias e Ladrões". Por achar que levanta um problema interessante, resolvi passá-lo a post, seguido da minha resposta.

O caso é profundamente grave.

O que tão bem explicita é repleto de lógica, sensatez e sobriedade que coexistem consigo e com o seu simpático e poderoso bom-senso nas perguntas que levanta.
Neste caso, dou-lhe completamente razão.
Agora repare. A criminalidade existe porque existe "desgoverno" por parte de marginais que vivem miseralvelmente e, necessitam fazê-lo para sua própria forma de sobrevivência.
Falo destes casos, particularmente.
Já se perguntou porque a sociedade cria marginais?
Têm fome. Precisam de sustento. Necessitam de bens mínimos de sobrevivência para si e para os seus?
Penso que as sociedades criam marginais por sua responsabilidade, conta e risco.
Tratam-se de casos particulares onde impera a razão, mais que a insensatez do crime que praticam.
É necessários compreender as razões porque fazem o que fazem.
Se tivesse fome era capaz de matar para comer?


Não, definitivamente não, não era capaz de matar para comer se tivesse fome, nem se os meus filhos tivessem fome.
Roubaria para matar a fome dos meus filhos, iria para a prisão se fosse necessário, mas nunca mataria.
Estes marginais, não me parece que tenham fome, Pena, penso antes que poderá ser para tráfico de drogas ou para tráfico de armas.
Terá sido a fome que provocou essa necessidade de tráfico?
Também não estou convencida disso.
Acho que poderá ter sido não estarem inseridos na sociedade, de não terem ido à escola, uma escola cujos professores foram autistas, que se borrifaram para as comunidades mais complexas, que queriam era dar a matéria e o resto que se amanhasse.
Não digo que todos os professores assim se comportam, mas o que manifestamente se tem visto e sabido, é que o pôr na rua, é sempre o caminho mais fácil para um professor, em vez de tentarem darem aulas que os interessem, indo, por exemplo, buscar factos das vidas deles, para daí começar a dar a matéria.
O resultado foi não conseguirem arranjar emprego, muitos nem sequer o tentaram, e irem procurar da maneira mais simples e mais lucrativa dinheiro para viverem melhor, com mais luxo, mas não por fome.
Não tenho dúvidas que é a Sociedade que produz os marginais, mas não por eles terem fome. O problema é mais complexo.
Aliás, Pena, sabes tão bem como eu, que dentro da mesma esfera familiar e de bairro, alguns se tornam marginais e outros não.
Não sei como te agradecer este comentário, que achei por demais interessante.

8 comentários:

Carla disse...

Um post cheio de actualidade, cheio de temas para debater...apesar de entender o que o Pena quis dizer, tenho mesmo que concordar contigo amiga. Também acho que a grande maioria das pessoas que mata não o faz por fome...pode ter uma infinidade de outros motivos que podem ir da raiva, da vingança...alguns infelizmente do prazer...mas quase nunca da fome!
A sociedade é culpada (creio que não apenas ela-olivre arbítrio existe por algum motivo) por gerar certos sentimentos mas não pode nem deve ser única culpada...as pessoas pensam e têem capacidade de optar.
Conhecendo-me como conheço também tenho a certeza que nunca conseguiria matar por fome...
beijos e cada vez gosto mais deste teu novo espaço

Pena disse...

Admirável Amiga:

É uma pessoa muito sensata.
Nunca culparia os interessados Professores pela imensa dedicação com que se entregam aos seus alunos, com cumplicidade e coragem avassaladora e terna, que os tentam educar e formar na compreensão, na amizade, na profunda manifestação do seu imenso carinho e ternura para abrangerem o seu mundo próprio e complexo. Difícil até.
Para dor minha e da minha família tenho um sobrinho autista. Acabou por desfazer quase uma família que amo e trago no coração.
Quando alguém menciona este termo até tremo de desencanto.
POR FAVOR, os autistas são Seres Humanos que têm direito a viver, a amar, a serem entendidos no seu mundo peculiar, sonhador e inacessível feito de encanto e delícia.
POR FAVOR não use este termo assim!
Agradecido pela sua enorme intenção e dedicação ao problema que foi levantado, UM OBRIGADO do TAMANHO DO MUNDO.
Concordo em absoluto consigo, terna e simpática amiga muito linda. Linda? Maravilhosa.
Fiquei sensibilizado e emocionado.
Também nunca mataria, mas continuo a nutrir enorme solidariedade pelos desencantados da vida e as tormentas psíquicas e mentais porque passam. Daria uma tareia isso sim nos traficantes. Talvez, tenha exagerado nalguns aspectos que peço DESCULPA, mas são o meu ponto de vista.
Beijinhos doces de imenso respeito, estima e consideração.
Sempre a admirá-la cada vez mais.
Comovido...!

pena

MUITO OBRIGADO por valorizar as intenções sinceras como fiz um comentário normal, porque sou assim, tal e qual, assim só.
OBRIGADO!

Claras o contestatário disse...

Olá Carla Amiga

sorriso

Obrigado por gostares cada vez mais deste nosso espaço.
Temos as duas opiniões parecidas, sempre tivemos.

Beijinho

Claras o contestatário disse...

Oh Pena, Amigo

Eu atiro muitas pedras aos Professores, e há poucas excepções infelizmente, exactamente pela pouca dedicação com que se entregam.
Mas sobre isso não vale a pena trocarmos opiniões, agora.

Infelizmente, também tenho um sobrinho autista, não autista profundo, mas de todas as maneiras autista.
Nunca pus em causa que os verdadeiros autistas, não tivessem todos os direitos, nem tal me passaria pela cabeça.

E sabes perfeitamente o que quis dizer com a palavra autista.
Não meu Amigo, nos traficantes, uma tareia não chega e sabes porquê?
Porque são eles que desviam toda uma juventude, os teus filhos e os meus, os teus netos e os meus.
A esses, só fechados, ou seja presos, e com bastantes anos de prisão; não lhes dou o direito de corromperem toda uma sociedade.
Se me vieres falar dos desencantados da vida e das tormentas psíquicas e mentais porque passam, podes crer que a minha solidariedade é grande, e que tenho pena que não haja na sociedade mecanismos que os possam ajudar.
Mas daí a passarem a poder matar ou corromper, é um passo de gigante e é esse passo que acho que a sociedade como um todo, tem o dever de defender todo o resto das pessoas de bem que nela vivem, não os deixando fazer pior mal.

Sou eu que te agradeço, mais uma vez o teu comentário, que deu azo a esta importante troca de opiniões.

Beijinho grande

Luís Maia disse...

Concordo contigo Claras e no confronto das necessidades que podem levar ao crime ou na diferença que existe nas mãos que os cometem.

Os teus post e os comentários são normalmente, objecto de outras conversas e outras derivações porque conhecemos a analogia das cerejas.

Nestas coisas da fome, sempre me ocorre o tema que actualmente mais me aflige e que tenho a certeza existe, a pobreza que tem vergonha a que não é mesmo capaz de roubar, essa normalmente morre dela e por causa dela e não assalta nem mata ninguém.

Essa quando eventualmente vence a vergonha porque a fome é maior, não rouba 1 BMW para comprar um pão, rouba só o pão.

è que eu acho que ainda há gente assim, mas estão a acabar.

Claras o contestatário disse...

Olá Luisinho

Penso que também não era capaz de roubar para matar a minha fome.
Para matar a dos meus filhos, só depois de tentar muitas outras formas de trabalho, desde o lavar escadas ou sanitários num centro comercial, até à prostituição que penso já foi muito usada para esse fim, apesar de ninguém acreditar
Só depois de todas essas tentativas, iria roubar para matar a fome dos meus filhos, ou netos e evidentemente não me passaria pela cabeça ir roubar um BMW, iria roubar um pão ou um frango.
Infelizmente, Luís, há uma grande percentagem, novamente, de pobreza envergonhada.

beijinho

JV disse...

Só depois de todas essas tentativas, iria roubar para matar a fome dos meus filhos, ou netos e evidentemente não me passaria pela cabeça ir roubar um BMW, iria roubar um pão ou um frango.

Nesta brilhante ironia consegue a Clara resumir todo o meu pensamento sobre a juventude que «rouba para comer»: não, não se trata disso. Trata-se de gente que, educada deficientemente, quer mostrar aos amigos que até consegue ter comportamentos «rebeldes» e sair impune. Gente que, infelizmente incentivada por todos os canais de televisão e mais algum (bastará ver os apólogos à criminalidade que são praticamente todos os videoclips), cresce num Mundo em que o herói é o traficante, o bandido, o homem armado que «mitra» o carro do «betinho» e consegue escapulir-se à Polícia. Polícia que, por sua vez, se tem a audácia de aplicar o correctivo devido a este infame proceder, tem à perna todos os tribunais,todos os telejornais, todos os opinion makers politicamente correctos que deploram, da torre de marfim do seu condomínio fechado, os excessos policiais no trato com os «jovens pobres e revoltados». Costas quentes e uma sociedade deseducadora, ou pelo menos complacente para com a deseducação ministrada nos mass media: eis o caldo de cultura de onde brotaram os gangs que assaltaram parte das nossas cidades. Onde a pobreza é acessória: pois quem conhece notícias de tráfico de droga nas «bidonvilles» onde os portugueses viviam como ratos nos anos 60/70? Pudera!, ao tempo a Polícia não tinha contemplações, nem as peias da verdadeira censura de costumes em que se tornou o «showrnalismo» de opinião. Tempos que já lá vão...

Claras o contestatário disse...

Olá JV

Uma honra tê-lo por aqui

Só não estou de acordo com a última parte.
Os meus filhos foram educados por uma mãe transgressora dos bons costumes, por principio e por convicção e não é por isso que alguma vez fizeram ou lhes tivesse passado pela cabeça fazer, alguma dessas coisas, se calhar porque tiveram uma educação que não foi facilitada, nem em termos económicos, nem termos humanisticamente morais, o que não quer dizer da moral cristã, evidentemente.
De resto, acho que soube interpretar muito bem, o que queria dizer

Beijinho