31 julho, 2008

Não há bela sem senão

Não quero ser igual a muitos que critico, não sou dos que consideram que o Mundo se deva dividir em bonzinhos, alinhadinhos e limpinhos todos do mesmo lado e os maus, porcos e feios do outro.

Considero que a perfeição não existe, pode ser uma miragem, mas não acontece, ninguém é.

Por extensão esta ideia também serve aos partidos e naturalmente ao governo.

Conheci há muitos anos a JP Sá Couto enquanto cliente deles e sempre os tive em boa conta.

Surpreendeu-me pela positiva este projecto Magalhães, gostei do apoio que o governo lhe deu e da ideia que Sócrates apresentou, porque acho que o desenvolvimento do País passa exactamente por aí.

Finalmente acho que o governo, a quem confiámos a tarefa de governar a nau, resolveu desta vez gastar bem o nosso dinheiro, talvez deva dizer que, "quase" gastou bem o nosso dinheiro, porque duma forma geral não aprovo dádivas, descontos ou bónus, "para todos", sem atender que alguns não precisam de descontos, porque podem pagar.

Leio entretanto com desagrado, que o governo entende que não deve pagar horas extraordinárias aos enfermeiros hospitalares, provavelmente baseado no código do trabalho recentemente criado e na famosa e "genial "criação do banco de horas, que obviamente só serve para os empregadores amealharem mais uns tustes, à conta dos mesmos de sempre.

Aliás já é assim em toda a função pública. Tenho familiar próximo que já ardeu com as horas e banco de horas nem pensar

Se eu fosse funcionário público desconfiava, é que não há bela sem senão, e o "senão" dos custos extra, por muito meritórios que sejam, saiem sempre do bolso dos mesmos.

7 comentários:

Pena disse...

Estimado Amigo genial:
Um texto poderoso. Sensato. Sóbrio na análise do "desgoverno" governado pelo governo.
As horas extraordinárias dos enfermeiros é algo de muito sério e, seria justo que se lhes dessem valor no que fazem, que merecem por completo.
Pela entrega. Pelo brio. Pela postura de incálculavel dedicação no importante trabalho que efectuam em próle do bem e do responsável trabalho esforçado e importante que executam.
Também não posso concordar com esta decisão ministerial.
Parabéns pela intervenção no bem-estar social e na defesa das pessoas que tudo merecem.

Abraço amigo de estima e respeito
Com admiração

pena

Luís Maia disse...

Caro amigo Pena

obrigado pelo seus imerecidos elogios, embora me esforce muito por ser apenas "moderadamente bom " no que escrevo .

Esclarecendo melhor a notícia que li, constato hoje que a ideia socrática é pagar as horas extras apenas em singelo, como se fossem horas normais de trabalho, o que contraria todos os conceitos de remuneração pelo menos dos últimos 50 anos.

Aceitar isso é regredir

Claras o contestatário disse...

Parece-me Luisinho

que estás enganado.
O Banco de horas, tanto quanto eu sei, ainda nem sequer entrou em actividade.
Não vai ter efeitos retroactivos.

Beijinho

Luís Maia disse...

Não é o banco de horas o que procuro referir neste caso, atendendo a que com a falta que há de enfermeiros, não pode ser praticada a compensação.

tenho um familiar que tem um contrato com Organismo publico, agora de 2 meses , que fazia horas e recebia-as, já deixou de as receber, continua a trabalhar o que trabalhava com a diferença que agora não recebe, poderá teoricamente compensar utilizando horas, mas não o faz porque faz falta ao serviço e porque se protesta perde o seu precário e modesto emprego com validade por 2 meses.

Portanto como vês no Estado, falo em MInistério da Saude já se pratica o banco de horas (só para o lado do empregador claro)
mas tens razão o banco de horas ainda não está oficialmente em vigor, é só o regresso ao esclavagismo, que o Salazar já não praticava.

Há 50 anos eu fazia horas quando era preciso, numa empresa de sovinas chamada Hidroeléctrica do Alto Alentejo, e recebia as horas salvo erro com um acréscimo de 25% nas duas primeiras horas e depois com 50%,

Claras o contestatário disse...

Vamos lá a ver:

Eu não defendo nem o não pagamento de horas extraordinárias, nem o banco de horas.
Eu não defendo o trabalho precário
eu não defendo os recibos verdes

estamos esclarecidos?

Luís Maia disse...

Fica o esclarecimento

mas quer hoje quer num comentário há 2 posts atrás pareceu-me que havia da tua parte fundadas esperanças que o banco de horas era um boa medida.

má interpretação minha por certo

Claras o contestatário disse...

O que acho, Luís, é que o banco de horas, pode ser uma boa medida pontualmente, se for aceite pelos sindicatos, e que poderá ser melhor do que encerrar portas e virem todos para a rua, desempregados.
Partindo do princípio que essas horas que estão no dito banco, são dadas sem ser a conta-gotas.
Nunca no Serviço Nacional de saúde, onde os que trabalham já são poucos, por isso nunca virem a ter a respectiva compensação.

beijinho